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Fernando Diniz inaugura a era da demissão por streaming


Fernando Dinz, agora ex-técnico do Cruzeiro.                                      Foto: Site do Cruzeiro/Reprodução


Artigo de Paulo Matuck


Streaming. Essa palavrinha da língua inglesa foi incorporada, como tantas outras, à língua portuguesa.

Especialmente para os cinéfilos e fanáticos por esportes.

Com muitas partidas fora da TV Aberta, que parece caminhar para obsolescência, virou a salvação para acompanhar os jogos.

Uma solução mais cara e ineficiente. Porém, é o que tem para hoje.

Quem assina o serviço já passou momentos de raiva quando o vizinho do andar de cima comemorou o gol mais cedo.

Ficou irritado quando recebeu a notificação do gol assinalado, de que o lance estava sobre análise do VAR (Árbitro de Vídeo) e foi anulado enquanto assistia placidamente uma insossa troca de passes no setor defensivo.

É a insustentável lerdeza da tecnologia.

Pedro Lourenço, dono do Cruzeiro.                                            Foto: Site do Cruzeiro/Reprodução


Aceitar ou não o processo é irrelevante. Ele vai se tornando dominante. Agora, chegou até à demissão de treinadores. No Cruzeiro, Fernando Diniz protagonizou a primeira demissão via streaming.

Demissão começou em dezembro e terminou em janeiro


No começo de dezembro do ano passado, a imprensa mineira anunciou a queda do técnico.  Ele sentiu o golpe. Mesmo sem ser informado pela diretoria do Cruzeiro, protestou contra a forma com que foi tratado.

Aí, o streaming travou. Só voltou a rodar na segunda-feira, 27 de janeiro, quando os cartolas cruzeirenses formalizaram a dispensa do treinador.

Embora nunca tenha sido confirmado, Diniz seria mandado embora em dezembro. Porém, o fato de a notícia ter sido vazada, o dono do Cruzeiro, o empresário Pedro Lourenço, deu um passo para trás. Resolveu manter o treinador.

Técnicos humilhados são especialidade da casa


Claramente uma manobra para dizer: “Aqui mando eu”. Não foi a primeira vez que isso aconteceu. O antecessor de Diniz, Fernando Seabra, foi submetido a um constrangimento ao ouvir, em um daqueles áudios vazados sem querer querendo no WhatsApp, que o dirigente estava descontente com suas escalações. Colocou o rabo entre as pernas e começou a acionar os atletas que o chefe desejava.
 
Estilo semelhante ao de Renato Gaúcho, o técnico mais cotado para ocupar a vaga aberta com a saída de Diniz. O ex-treinador do Grêmio já trabalhou em um clube que tinha um dono, ainda que extra oficial.

No  Fluminense, patrocinado pela Unimed, seguia letra por letra a cartilha de Celso de Barros, comandante da empresa de saúde. Não será diferente com Pedro Lourenço.

Renato Gaúcho, ex-técnico do Grêmio e o mais cotado para assumir o Cruzeiro

Alguém pode ter pena de Fernando Diniz. Não há motivo para isso.

Ele já conhecia o estilo do dono do Cruzeiro e aceitou o cargo. Para isso, exigiu um contrato até o final de 2025. Assim, passará o ano recebendo dois salários.

Além do pagamento do clube mineiro, ainda receberá dinheiro do Fluminense, do qual foi demitido quando também tinha contrato até o final de 2025.

Outros poderão achar que o Cruzeiro terá um prejuízo. Também não é motivo de preocupação. Afinal, o já não é um clube associativo. Caberá ao dono tirar dinheiro do bolso para acertar as contas.

Quem deve mesmo pagar o pato por essa trapalhada é o consumidor da rede de supermercados que tem Pedro Lourenço como proprietário. O dinheiro terá que sair de algum lugar.


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