Pular para o conteúdo principal

São Paulo e Fluminense mostram que futebol contraria a matemática

    
Luis Zubeldía, técnico do São Paulo.                                                 Foto: Site do São Paulo/Reprodução.


Artigo de Paulo Matuck


A conta é simples: 3 × 4 = 12.

Faça o contrário: 4 × 3 = 12.

Mesmos fatores, mesmos resultados.

Uma regra básica da matemática. A ordem dos fatores não altera o produto, ou seja, o resultado da operação.

No futebol, todavia, a prudência recomenda contrariar esse ensinamento.

Especialmente quando o assunto é troca do técnico. 



Em plena reta final dos estaduais, São Paulo e Fluminense são exemplos disso.

O Tricolor Paulista segura o técnico Luis Zubeldía, apesar dos protestos das torcidas, essencialmente por meio das redes sociais, pedindo a demissão do argentino.

Motivos para isso existem. Afinal, o treinador faz sua segunda temporada à frente do clube do Morumbis. Entretanto, não mostra evolução na comparação com a primeira, que até pode ser considerada bem-sucedida, apesar da falta de títulos.

No domingo, 16 de fevereiro, o treinador defendeu seu emprego montando uma retranca para conter o Palmeiras em jogo no Allianz Parque pela décima rodada da primeira fase do Campeonato Paulista.

Com o emprego garantido, ao mesmo temporariamente, Zubeldía comanda treino do São Paulo após clássico com o Palmeiras. Foto: Site do São Paulo/Reprodução.

Alcançou o objetivo desejado. Tendo feito somente uma finalização certa ao longo da partida, o São Paulo segurou o 0 a 0 até o apito final. Com isso, garantiu a vaga nas quartas de final do Paulistão com duas jornadas de antecedência.

A qualidade do futebol exibido, entretanto, foi bem abaixo do que se poderia esperar diante do potencial do elenco são-paulino. O time acumula quatro partidas sem vencer.

Tem como agravante o jogo diante da Inter de Limeira, no qual atuou em superioridade numérica durante toda a segunda fase e não conseguiu fazer a rede balançar. Precisou engolir o 0 a 0.

Fluminense vive situação semelhante

Não é o único tricolor a viver essa situação. O Fluminense também lida com pedidos pela cabeça de Mano Menezes. O gaúcho chegou ao clube na temporada passada em momento de desespero.

Fez um contato de curta duração. Seu maior objetivo era evitar a queda para a Segunda Divisão. Cumpriu a missão. Com isso, teve o compromisso renovado para a temporada 2025.

No entanto, seu estilo de jogo essencialmente defensivo tem incomodado parcela da torcida do Tricolor das Laranjeiras.

Às vésperas da última rodada da Taça Guanabara, fase de classificação do Campeonato Carioca, o clube está fora da região que permite avançar para as semifinais e, dessa forma, seguir na luta pelo título.

E isso é uma melhora. Até a vitória de domingo contra o Nova Iguaçu, por 2 a 0, o Fluminense sequer estava na zona de classificação para a Taça Rio, torneio de consolação reservado aos times que ficam entre a quinta e oitava colocações da Taça Guanabara.
 

Cartolas retardam demissão

Tanto em um caso quanto em outro, os cartolas ainda não sucumbiram aos protestos da torcida e mantiveram os treinadores no cargo. Mesmo com resultados desfavoráveis.

O motivo para isso é simples. No futebol, a ordem dos fatores altera o produto.

A primeira pergunta a ser feita não é se Mano Menezes ou Luis Zubeldía devem ser demitidos. Mas sim quem será colocado no lugar deles se a demissão acontecer.


Uma análise a partir das opções de treinadores disponíveis no mercado e com chance de aceitar uma possível proposta dos tricolores é desanimadora.

O principal nome da fila do desemprego é Renato Gaúcho. Dispensado pelo Grêmio, o 'fake técnico', um arauto da ignorância, que afirma ser desnecessário estudo e preparação para exercer a profissão, passa os dias jogando futevôlei no Rio de Janeiro.

A falta de opções fará certamente com que, mais cedo ou mais tarde, receba uma proposta. Porém, ao menos por enquanto, segue aproveitando seu período de férias.

Não é o único nessa situação. Aposentado por falta de propostas, Vanderlei Luxemburgo vira e mexe aparece nas mídias sociais com declarações que visam chamar a atenção e lembrar aos cartolas que basta uma proposta para largar o pijama e voltar à ativa.

Quem consegue fazer a segunda pergunta antes da primeira, não dispensa um treinador para contratar Renato Gaúcho ou Vanderlei Luxemburgo. Não é uma daquelas trocas de seis por meia dúzia.

No caso, na melhor das hipóteses, é abandonar um técnico nota seis para pegar um nota dois.

Siga o blog nas redes sociais









Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ancelotti já descobriu: América do Sul tem o pior futebol do mundo

        Carlo Ancelotti, novo técnico da seleção brasileira, não conseguiu aguentar até o final de um jogo do Brasileirão. Foi apresentado à baixíssima qualidade do futebol nacional, após ter feito uma convocação recheada de jogadores locais  Artigo de Paulo Matuck sitefutebolemuitomais@gmail.com 03/06/2025 Prestes a fazer sua estreia no comando da seleção brasileira, o técnico italiano Carlo Ancelotti resolveu dar uma blitz nos principais clubes do país. No domingo, 1º de junho, foi a vez do Corinthians. Na Neo Química Arena, assistiu ao jogo contra o Vitória, pela décima primeira rodada do Brasileirão 2025. Não aguentou até o final. Aos 34 minutos do segundo tempo, deixou as tribunas. O insuportável 0 a 0 o afugentou do estádio. No comando do Corinthians estava justamente Dorival Júnior, que ao ser demitido do comando da seleção canarinho, abriu o caminho para a chegada de Ancelotti. América do Sul tem o pior futebol do planeta O desenvolvimento do jogo...

BRASILEIRÃO 2025: Os líderes na classificação do Campeonato Brasileiro de pontos corridos

   O São Paulo é o time com mais pontos conquistados no Brasileirão desde 2003. Foto: Site do São Paulo/Reprodução 2003. O ano foi um ponto de virada no futebol nacional. Após mais de três décadas mudando, a cada ano, o regulamento do Brasileirão, o torneio adotou o sistema de pontos corridos. O formato mais popular das ligas nacionais pelo mundo afora foi mantido desde então.  A única mudança nesse período foi em relação ao número de participantes. Em 2003, eram 24. Com mais rebaixamentos que acessos, o número caiu para 20 em 2006. Não mudou mais. Considerando-se as intervenções da justiça esportiva com punições de perda de pontos, veja abaixo como é a classificação do Campeonato Brasileiro deste 2003 até 2024 somados todos os jogos. P Time PTC PTS J V E D GP GC APR % 1 São Paulo 22 1383 856 381 237 237 1216 922 53,9 2 Flamengo 22 1349 856 374 231 251 1230 1004 52,5 3 Internacional 21 1286 818 357 213 248 1095 889 52,4 4 Corinthians 21 1265 818 341 240 237 1053...

Brasileirão 2025: Cruzeiro - Grife é o que interessa

         Kaio Jorge (à dir.), uma das contratações milionárias da Raposa.                            Foto: Site do Cruzeiro/Reprodução Artigo de Paulo Matuck sitefutebolemuitomais@gmail.com O Cruzeiro virou um novo rico em 2024. O empresário Pedro Lourenço, conhecido como Pedrinho, dono da rede de supermercados Belo Horizonte, comprou o time. Tirou a Raposa das mãos de Ronaldo, que adquiriu o Cruzeiro a preço de banana quando o clube estava à beira da falência. Vendeu como se fosse Caviar. Empresário teve participação indireta do clube antes da compra Pedrinho já era ativo na administração do clube antes da transformação em empresa. Sua participação era colocar dinheiro para evitar punições.  De quebra, dava alguns pitacos na administração de futebol. Dono da grana, tinha seus desejos atendidos, ainda que de forma extraoficial. Ao comprar o clube, pode fazer isso oficialmente. Emp...