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Com time de R$ 5 bilhões, Chelsea aposta no futuro, mas derrapa no presente

            
Palmer (de costas) é a grande aposta do Chelsea para levantar taças. Foto: Site do Chelsea/Reprodução


Artigo de Paulo Matuck
sitefutebolemuitomais@gmail.com


O Chelsea colocou no sábado, 8 de fevereiro, mais um item na gigantesca lista de frustrações dos últimos anos.

Em confronto com o Brighton pela Copa da Inglaterra, deixou o gramado do estádio Amex derrotado e eliminado. Levou 2 a 1.

Nos últimos anos, dinheiro para investimentos não têm faltado. O elenco dos Blues é avaliado pelo Transfermarkt, especializado em transações de jogadores, em 939 milhões de euros, algo em torno de R$ 5,6 bilhões.

O plantel não apenas tem qualidade. Tem futuro. Com idade média de 23,4 anos, a menor entre os clubes das principais ligas europeias, apresenta potencial para atuar por uma década.

Porém, se o futuro é promissor, o presente é preocupante.


Time mudou de patamar com russo no comando


O Chelsea deixou de ser um time de meio da tabela de classificação e passou a ser protagonista quando foi comprado por Roman Abramovic.

O russo, que de suspeito de lavagem de dinheiro, virou um cidadão responsável pelo investimento feito à ferente do Chelsea. Até a Rússia invadir a Ucrânia.

Os ingleses tomaram o lado dos ucranianos e impuseram severas sanções à Rússia. Abramovic foi levado na enxurrada. Simpático ao governo de Putin, acabou forçado a vender o controle dos Blues.

Grupo norte-americano chegou

 com muito dinheiro e pouco juízo


Tirando proveito da situação de Abramovic, um grupo de investidores capitaneado por Todd Lawrence Boehly assumiu o controle. 

A chegada foi impactante. Com recursos que pareciam ilimitados, foram feitas contratações e mais contratações.

Porém, na mesma medida em que jogadores chegavam, eles eram dispensados, uma vez que os resultados almejados não eram alcançados.

A porta giratória do departamento de futebol do Chelsea não parava.

Campeão da Segunda Divisão com o Leicester, Maresca (ao centro) chegou para colocar ordem na casa. Foto: Site do Chelsea/Reprodução

No começo da temporada 2024/2025, após uma série de trocas de técnicos, Enzo Maresca assumiu o comando. Sua primeira providência foi reduzir o elenco. Até para poder trabalhar.

O número de atletas era tão grande que alguns deles sequer tinham armários para guardar seus equipamentos.

E a porta não parava de girar. 

Contratos de longo prazo 'driblam' normas de fair-play

O novo proprietário do Chelsea encontrou um meio de superar as restrições do chamado fair-play financeiro. Pelas regras, cada clube só pode gastar se tiver arrecadação suficiente para cobrir as dívidas.

A direção dos Blues começou a ampliar os prazos contratuais. Alguns atingiram a marca de dez anos. Assim, o valor a ser gasto poderia ser repartido durante o período.

Não apenas isso. Passou a ser dada preferência a jogadores jovens. A tentativa é de montar um time capaz de atuar em alto nível por muitos anos.

A teoria é perfeita. O problema é que a prática insiste em contrariá-la.

Blues despencam na Premier League

O Chelsea passou por vexames seguidos. Chegou até mesmo a ficar fora da zona de classificação para competições internacionais via Premier League.

Reagiu, deu um passo adiante, contudo, bem mais curto do que se poderia esperar.

Na temporada atual, voltou a ter agenda internacional. Entretanto, na modesta Liga da Conferência Europeia, uma espécie de Terceira Divisão continental.

As atenções, então, acabaram sendo direcionadas para os torneios locais. O começou chegou a ser animador. O Chelsea mostrou progresso e conseguiu, até mesmo, a entrar na luta pela liderança do Campeonato Inglês com Liverpool e Arsenal.

Centro de treinamento ficou pequeno diante dos numerosos reforços. Foto: Site do Chelsea/Reprodução

Seus jovens atletas, entretanto, perderam fôlego. A briga pelo título já não parece viável. O clube de Londres tem, agora, que se Conformar em tentar a classificação para a Champions League, voltando, assim, para a elite europeia.

Champions League virou prêmio de consolação

Com 43 pontos (12 vitórias, sete empates e cinco derrotas), está na quarta posição do Campeonato Inglês. É o último posto que conduz para a Liga dos Campeões.

Porém, até isso é pouco diante dos investimentos feitos. Os torcedores, com razão, anseiam por títulos.  Para isso, as copas eram consideradas as portas da esperança.


Nas nacionais, essa possibilidade acabou. Eliminado na Copa da Liga Inglesa, caiu também na Copa da Inglaterra. O que restou? A Liga da Conferência Europeia.

Pouco para contentar seus fãs, que esperam que o futuro chegue rápido e o clube volte a ser protagonista. 

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